PCDF deflagra Operação PERSEU7 contra organização criminosa que vendia dados sigilosos de milhões de brasileiros

PCDF deflagra Operação PERSEU7 contra organização criminosa que vendia dados sigilosos de milhões de brasileiros

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRCC/Decor), deflagrou na manhã de quintafeira (24/9) a Operação Perseu

 

A ação teve o objetivo de desarticular organização criminosa responsável por plataforma clandestina de consulta de dados pessoais. Mais de 80 policiais civis cumpriram 13 mandados de prisão temporária e mandados de busca e apreensão em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. Uma fonte para as fraudes

 

A plataforma cobrava mensalidade e permitia consultar, a partir de um CPF ou CNPJ, o nome, a filiação, o endereço, os documentos, os vínculos e até os processos judiciais de qualquer cidadão.

 

As bases somavam centenas de milhões de registros e vinham de vazamentos e da exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.

 

O programa funcionava como uma verdadeira fonte para as fraudes. Estelionatários de todo o país iam até ela para matar a sede de informações e saíam dali com o roteiro pronto do golpe. O caso mais emblemático é o do falso advogado: munido de dados reais do processo da vítima, o criminoso se passa pelo defensor para exigir pagamentos.

 

As investigações identificaram 13 integrantes com divisão clara de tarefas. Havia um núcleo de liderança e gestão financeira, desenvolvedores, fornecedores das bases de dados, operadores de fraudes e de contas de laranjas, além de responsáveis por anúncios e vendas. Entre março de 2021 e março de 2026, o grupo faturou mais de R$ 7 milhões, sendo mais de R$ 4 milhões apenas em 2025.

 

Os lucros eram ocultados por meio de empresa de fachada, contas-bolsão e movimentação triangulada de criptoativos entre os líderes do grupo.

 

A organização já finalizava uma segunda plataforma do mesmo tipo. A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos até o limite de R$ 7 milhões.

 

A medida alcança imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação. Também foi determinada a retirada do site do ar.

 

Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato. Somadas, as penas máximas ultrapassam 36 anos de reclusão.

 

Na mitologia grega, Perseu derrotou a Medusa cortando-lhe a cabeça, de onde brotavam dezenas de serpentes.

 

A operação leva o nome do herói porque ataca o centro de uma estrutura de onde se ramificavam incontáveis golpes: cortada a cabeça, as serpentes perdem a força

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